sábado, 16 de fevereiro de 2013

Eduardo Paes cria 'bolsa-Globeleza' de R$ 5 milhões para a Globo


Leonel Brizola e Darcy Ribeiro na inauguração do sambódromo: governo do povo mandava e Globo ficou fora da festa por tentar sabotar.

Hoje Globo dá as cartas e o povo paga no governo de Eduardo Paes (PMDB)

Na minha ingenuidade, pensava que a TV Globo sempre tinha que pagar para adquirir os direitos de transmissão dos desfiles de escola de samba do carnaval carioca. Mas a coisa não é bem assim, pelo menos em parte.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) confirmou que retirou R$ 5 milhões dos cofres públicos da Prefeitura para pagar à TV Globo pela transmissão do desfile da série A (o grupo de escolas imediatamente abaixo do grupo principal), na sexta-feira e no sábado, para o Estado do Rio de Janeiro.

Já existe uma estranha triangulação onde a Prefeitura do Rio "licitou" para a Liesa (Liga independente das Escolas de Samba) explorar os direitos comerciais sobre o carnaval, e esta se acerta diretamente com a Globo, num contrato particular, já livre de licitação.

Agora pagar, em vez de receber pela transmissão, vira caso para o Ministério Público do Rio entrar na justiça.

Se não me engano, até o ano passado, outro canal de TV de menor audiência transmitia este desfile sem a Prefeitura meter a mão no bolso.

É dureza para o cidadão carioca, que está pagando neste mês a primeira parcela do IPTU, saber que esse seu suado dinheirinho está indo para o prefeito fazer gracejos financeiros para os bilionários donos da Globo.

Saudades do ex-governador Leonel Brizola que, em 1984, na inauguração do Sambódromo, quebrou o monopólio da Globo, e a Manchete transmitiu o carnaval inteiro de cabo a rabo. Segue abaixo o texto dessa história:

CARNAVAL 84 - A INAUGURAÇÃO DA PASSARELA DO SAMBA

Em meados de 1983, ninguém sabia como seria a organização do desfile do próximo carnaval. Com um número cada vez maior de agremiações no grupo principal, Alcione Barreto, presidente da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e um grupo de dirigentes sugeriram à prefeitura que o desfile fosse realizado em dois dias, mas não obtiveram resposta imediata. Também não se sabia onde seriam realizados os desfiles, já que alguns queriam transferi-lo para a Avenida Presidente Vargas ou até mesmo para o estádio do Maracanã. Mas, no dia 11 de setembro, o carnaval de 1984 começou a ganhar forma: o governador Leonel Brizola convocou a imprensa ao palácio Guanabara e apresentou um projeto para a construção de um espaço definitivo para as apresentações das escolas de samba. Tal projeto, encomendado pelo vice-governador Darcy Ribeiro ao arquiteto Oscar Niemeyer, confirmou a Rua Marquês de Sapucaí, que desde 1978 era o palco dos desfiles, como o local escolhido para a realização das obras.

Poucas pessoas, no entanto, acreditaram que o projeto fosse concluído em pouco mais de cinco meses. Porém, as vésperas do carnaval, a Passarela do Samba (batizada popularmente de Sambódromo) ficou pronta, e trazendo uma novidade para as escolas, que teriam que ocupar de maneira criativa um enorme espaço criado por Niemeyer no final da pista: a Praça da Apoteose. Aumentando a polêmica, Darcy Ribeiro anunciou que a decoração da Passarela estava suspensa, com o argumento de que enfeitar a arquitetura de Niemeyer seria o mesmo que colocar gravata no Cristo Redentor.

Com a decisão, em dezembro de 1983, pelos dois dias de desfile, a Riotur confirmou que haveria duas comissões julgadoras distintas: uma para avaliar as sete escolas de domingo e outra para as sete de segunda-feira. Uma terceira comissão foi designada para o sábado posterior ao carnaval, quando as três escolas mais bem colocadas em cada dia, mais as duas campeãs do Grupo 1B, disputariam o título máximo do carnaval.

À Rede Manchete caberia a felicidade de exibir com exclusividade o desfile, pois a TV Globo se mostrou desinteressada em desistir de sua programação normal em favor da transmissão do carnaval, alegando que não tinha condições técnicas para operar na Passarela do Samba durante dois dias. Havia também o fator político, pois a visibilidade do governador do Estado não interessava ao dono da emissora. No entanto, com os patrocínios anunciados pela Manchete, a Globo tentou reverter a situação às vésperas do carnaval, mas a emissora de Adolpho Bloch bateu o pé, justificando que havia um contrato de exclusividade, e que seus anunciantes já haviam pago por ele.

Montando uma equipe de comentaristas de primeiro nível e muito bem preparada tecnicamente, a TV Manchete se fez presente também no desfile de sexta-feira, dia 2 de março de 1984, quando a Passarela foi oficialmente inaugurada com a apresentação das escolas do Grupo 1B. Além de uma cabine central, comandada por Fernando Pamplona, Sérgio Cabral, Haroldo Costa, Albino Pinheiro, Juvenal Portela, José Carlos Rêgo e Maria Augusta, a emissora montou uma estrutura na Apoteose, onde quatro comentaristas (Adelzon Alves, Renato Sérgio, Aílton Escobar e Geraldo Carneiro) davam suas impressões sobre a ocupação das escolas naquele novo espaço, já que ali havia sessenta pontos em julgamento. O sucesso da transmissão seria tão grande que a vitória sobre a Globo no Ibope chegaria a ter picos de 61% a 2% no Grande Rio. (Do SambaRioCarnaval)

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