segunda-feira, 9 de maio de 2016

A capitulação de Renan, o desespero da Globo e a desmoralização final do golpe


O presidente do Senado, Renan Calheiros, nunca experimentou uma pressão tão grande da mídia.
A Globo botou um helicóptero para acompanhar o seu deslocamento de carro em Brasília.

Amigos meus no exterior, que acompanharam o noticiário pela internet ficaram chocados: "bizarro" é o que eles me dizem.
Ao cabo, a pressão, como era de se esperar, fez efeito, e Renan decidiu dar continuidade ao processo de impeachment, ignorando a anulação da votação do dia 17 assinada pelo novo presidente da Câmara, Waldir Maranhão.
De qualquer forma, a confusão serviu para desmoralizar ainda mais o golpe.
Era previsível que, diante do investimento gigantesco feito pelos golpistas em todo o tipo de ilegalidades, rasgando tantos capítulos da Constituição, desprezando o resultado de uma das maiores eleições do planeta, a pressão sobre Renan não medisse limites.
O golpe segue o seu curso ainda mais desfalcado. Além de baseado numa votação ilegal na Câmara, porque feita em cima de um relatório que, inconstitucionalmente, não aponta crime de responsabilidade, o impeachment segue adiante assentado sobre uma votação anulada.
Para completar o cenário de republica de bananas, ou melhor, de ditadura bananeira, um outro juiz, seguindo o modelo Sergio Moro, mandou realizar uma condução coercitiva do ex-ministro Guido Mantega, no curso da Operação Zelotes.
Condução coercitiva é uma babaquice autoritária, simples assim, porque só poderia ser feita se o cidadão se recusasse a comparecer voluntariamente perante as autoridades. Não é o caso de Guido Mantega.
O blogueiro Luis Nassif fala da aproximação de uma "noite de São Bartolomeu", referindo-se a um dos episódios mais traumáticos da história mundial, em que a monarquia francesa dispara uma repressão horrível sobre não-católicos.
Setores importantes do judiciário estão incorporando alegremente o espírito do golpe, assim como fizeram seus congêneres durante a ditadura no Brasil, e como aconteceu em outros países, em períodos de exceção. Um golpe de Estado pressupõe, necessariamente, uma grande cumplicidade entre magistrados, golpistas e forças repressivas, mancomunados todos contra os interesses populares.
Hoje foi divertido testemunhar o desespero dos sem voto, em especial dos jornalistas globais, ao constatarem a fragilidade ridícula de seu golpe.
Porque é isso o que caracteriza um golpe: a sua instabilidade. Como não é baseado no único processo que dá legitimidade a um governo, o sufrágio universal, ele será sempre instável, e terá necessidade de apelar à repressão, à mentira, à manipulação, para se sustentar.
A história, moça irônica, abre muitas portas para os golpistas, sinaliza caminhos, pelos quais eles se enveredam tolamente, sem saber que ao fim dele encontrão um espelho a refletir o seu próprio semblante monstruoso e desprezível.
Abaixo, nota divulgada há pouco pelo Senado.
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