Por Mauro Santayana, em seu blog:
A questão da Petrobras mantém, neste momento, a situação do
país em suspenso. Trata-se não apenas de um problema jurídico, mas do futuro da
nossa maior empresa nacional e de dezenas de setores da economia brasileira,
que vão da indústria naval à química, com implicações de toda ordem e a ameaça
de eliminação de milhares de empresas e empregos.
Mas os problemas vão além dos casos de corrupção na empresa?
Como poderia estar sua situação se não fosse isso?
Do nosso ponto de vista, a queda do petróleo não atrapalha a
exploração do pré-sal para a Petrobras, porque o grande mercado da Petrobras é
o brasileiro. O que baliza o preço que a Petrobras obtém pelo óleo extraído no
pré-sal ou pelo óleo que ela troca pelo petróleo do pré-sal lá fora é o custo
final do combustível no mercado nacional.
É a Petrobras que forma o preço do petróleo no mercado
brasileiro, e essa condição de formação de preço só se veria ameaçada se
houvesse importação de combustível em enorme escala por empresas concorrentes,
para substituir a produção nacional da empresa.
Essa é uma possibilidade distante, que não poderia se dar
sem um tremendo esforço logístico, que implicaria, por sua vez, no aumento do
custo, diminuindo a margem de lucro de suas concorrentes, o que neste momento
não interessaria a ninguém.
O grande problema é o câmbio, considerando-se que muitos dos
insumos e serviços da Petrobras são importados. Mas ainda assim, a manutenção
desse quadro, em que o grande foco é o mercado interno, com o aumento paulatino
da produção nacional de petróleo e a de refi no, só tende a ajudar a Petrobras,
com a recuperação de suas margens de lucro no futuro.
Com relação ao mercado internacional, em médio prazo, a
recomposição do preço do petróleo tende a ocorrer por várias razões. Primeiro,
a concorrência do petróleo saudita mais barato com o óleo e o gás de xisto dos
EUA, que pode diminuir a oferta de produção local no maior mercado do mundo.
Em segundo lugar, pela pressão de outros membros da OPEP
para que haja corte na produção. Em terceiro lugar, pela diminuição dos
estoques norte-americanos e chineses, que deve ocorrer devido ao aquecimento da
economia dos EUA e das exportações chinesas, como já se viu no início deste
ano. Depois, vem a possibilidade de recuperação da economia europeia, caso seja
bem sucedido o pacote de estímulo do BCE, e, por último, a de haver um aumento
da tensão na Ucrânia, que pode vir a prejudicar o fornecimento russo de gás
para a União Europeia. Em uma situação normal, em que fosse considerada apenas
a lógica produtiva e de mercado, a Petrobras estaria vivendo um excelente
momento.
A expectativa negativa criada em torno da empresa, no
entanto, gerou uma posição institucional que não condiz com as perdas
efetivamente detectadas até agora com os casos de corrupção descobertos – que
têm sido várias vezes multiplicadas pela mídia e por todo o tipo de “fontes” e
“analistas” – e que a está empurrando para a realização de desinvestimentos.
Isso é muito mais grave do que as suas perspectivas reais de produção e de
mercado, mesmo quando levada em consideração a situação vivida neste momento pela
indústria de óleo e gás em todo o mundo.
Essa é uma situação que só poderia ser minorada, por
exemplo, se a empresa tomasse uma decisão que revertesse as expectativas e
contornasse os problemas que tem tido nas bolsas ocidentais e com a má vontade
de agências de qualificação como a Moody´s.
Esse seria o caso, por exemplo, do estabelecimento de uma
aliança que lhe garantisse a obtenção de recursos e de apoio alternativos –
para a execução dos projetos que estão em andamento – com parceiros
alternativos que fossem financeira e tecnicamente poderosos, como a China.
A Petrobras tem excelente tecnologia (acaba de ganhar, pela
terceira vez, o maior prêmio do mundo, outorgado pela OTC, no Texas, nos EUA,
nessa área), produção e gigantescas reservas de petróleo e gás, em ascensão
neste momento, e uma situação predominante em um dos maiores mercados do mundo.
A única coisa que pode atrapalhá-la é o fator
político
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