Por Altamiro Borges
Fantástico e Domingão do Faustão, entre outros programas
enfadonhos exibidos pela TV Globo aos domingos, que se cuidem. Seus índices de
audiência neste dia tão nobre para os anunciantes seguem em franco declínio.
Segundo reportagem do site UOL desta sexta-feira (22), nos últimos dez anos, na
medição das 24 horas dominicais, a emissora perdeu 35% em pontos do ibope na
Grande São Paulo. O cenário exposto na matéria é dramático e deve ter assustado
as empresas – inclusive do governo federal – que bancam os bilionários anúncios
publicitários na TV Globo.
“Durante décadas a TV Globo se mantém líder isolada em
audiência em todos os dias da semana, em todas as faixas horárias. No domingo,
em especial, o dia mais caro para os anunciantes, a emissora sempre se deu ao
luxo de não apenas liderar, mas também de registrar, sozinha, mais ibope que a
segunda e terceira colocadas somadas (SBT e Record). Esse tempo acabou. Nos
últimos dez anos, a Globo perdeu cerca de 35% em pontos de ibope na Grande São
Paulo (hoje cada ponto é igual a 67 mil domicílios nessa região). Dos 16,39
pontos registrados de média em 2005, a média caiu para 10,46 no ano passado e
está em 10,51 este ano (até o último dia 17)”, descreve a reportagem do UOL.
Há cinco anos, a TV Globo não consegue mais audiência do que
SBT e Record somados. Em 2005, as duas emissoras tinham em conjunto 12,34
pontos no ibope, contra 16,39 do império global. Hoje, os dois canais somam
11,32 pontos – quase um ponto a mais do que a poderosa rival, que tem 10,51.
“Tudo isso ocorreu exclusivamente porque a Globo perdeu pontos, e não porque
SBT e nem Record aumentaram os seus. Pelo contrário. Houve uma ‘compensação’: o
SBT perdeu quase três pontos na última década, mas a Record ganhou outros três,
então na soma dos dois está tudo como era... O problema, portanto, foi causado
unicamente pela queda mais acentuada da líder Globo”.
Vários fatores explicam esta queda acentuada – de quase 35%
- nos últimos dez anos. Uma delas é a perda de credibilidade do império global
– que transformou a emissora num partido político, cada vez mais editorializado
e partidarizado. Outra é a chatice da programação da TV Globo, que se acomodou
as altos índices de audiência do passado. Por último, vale registrar a explosão
da internet – que afetou todas as emissoras de tevê. No início de maio, a
internet completou 20 anos de existência no Brasil. É pouco tempo, mas os seus
estragos já são enormes – tanto para os jornais e revistas, que continuam
falindo e demitindo, como para as emissoras, que assistem a migração,
principalmente da juventude.
Como apontam vários estudos, o acesso à internet no Brasil
atinge 60% da população. Neste período, ele deixou de ser concentrado nas
faixas mais ricas da população. Em 1º de maio de 1995, a Embratel começou a
oferecer o acesso ao mercado em geral – antes, ele era limitado a universidades
e alguns funcionários de órgãos oficiais. À época, 250 consumidores foram
selecionados para testar a nova tecnologia. Só quem tinha dinheiro podia
comprar um computador. Atualmente, 54% dos internautas pertencem à chamada
Classe C, segundo pesquisa do instituto Data Popular. O Brasil hoje possui
cerca de 120 milhões de pessoas conectadas, segundo levantamento do instituto
Nielsen Ibope, de julho de 2014.
Pesquisa ainda mais recente, intitulada “O futuro digital do
Brasil em foco”, revela que o número de usuários da internet móvel no país
subiu 7% em apenas seis meses – até março último. Segundo Alex Banks,
vice-presidente para a América Latina da empresa de medição comScore, este
vertiginoso crescimento fez com que o Brasil já se aproxime das economias mais
desenvolvidas, como a da Alemanha. A população digital no país é de 84 milhões
de visitantes únicos. Segundo a pesquisa, "mais de 29 milhões acessam o
conteúdo digital por meio de mais de uma plataforma mensalmente”. O estudo
mostra, ainda, que as redes sociais “continuam crescendo, com uma audiência
altamente engajada”.
Estas acentuadas mudanças afetam duramente as mídias
tradicionais, colocando na berlinda o seu modelo de negócios. A TV Globo já
sente seus efeitos! Fantástico e Faustão que se cuidem!
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