21 de Janeiro, 2021
Foto: reprodução
Mais uma perda para a Covid-19 marcou tristemente o PCdoB nesta
quinta-feira (21): aos 84 anos, faleceu José Inácio Barbosa, o Zezinho,
militante em Pernambuco. Em nota, o comitê estadual do partido lamentou o
falecimento, se solidarizou com a família e ressaltou: “Seu grito de guerra
comunista, que entoava com tanta garra, continuará a ressoar em nossos corações
e mentes para sempre”.
A presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana
Santos, também manifestou sua tristeza. “Não são fáceis os dias que estamos
vivendo. Hoje tem sido um tanto mais difícil. Nos despedimos de Zezinho. Um
baque no coração de toda a militância pernambucana, acostumada com sua presença
gentil em todas as nossas atividades, sempre com muita disposição e espírito
combativo”.
Ela lembrou que Zezinho era veterano das ligas camponesas e foi um dos
fundadores do PCdoB. “Guerrilheiro em Goiás, nos anos 1960, enfrentou com
bravura 20 anos de clandestinidade e com garra os desafios
pós-redemocratização. De uma simplicidade afetuosa, conquistava todas as
pessoas de seu convívio. Um companheiro curioso, disciplinado, afeto ao bom
debate e a boa prosa. Como fará falta!”. E concluiu: “Encantou-se, mas seu
espírito revolucionário segue vivo dentro de cada um de nós. Zé Inácio, querido
Zezinho, presente. Hoje e sempre!”.
Luciano Siqueira, ex-vice-prefeito do Recife e membro do Comitê Central
do PCdoB registrou, em crônica, lembranças que guarda do
companheiro. “Em nossas reuniões, invariavelmente era aplaudido e saudado com o
grito de guerra “Zezinho, guerreiro/do povo brasileiro!” Pronunciava-se
manuseando anotações feitas em letra oscilante, à semelhança de um traçado de
eletrocardiograma. Ideias centradas, ditas em tom entusiasmado”, disse.
Leia abaixo a nota do PCdoB-PE:
Nota de pesar pelo falecimento de José Inácio Barbosa – Zezinho
Hoje é um dia muito triste para todos/as que lutam por um Brasil
soberano, democrático e socialista. Aos 84 anos, nos deixou José Inácio
Barbosa, um dos mais antigos militantes do PCdoB em Pernambuco e símbolo da
luta dos comunistas no estado e no país. O PCdoB se solidariza com a família e
amigos de Zezinho por essa perda irreparável.
José Inácio Barbosa, ou Zé Inácio, ou Zezinho, como era mais conhecido
em Pernambuco, ou ainda Manezinho, na Bahia, onde militou durante a ditadura,
teve sua formação política e sua incansável militância gestada no movimento
sindical rural, chegando a confundir sua trajetória de vida com a luta dos
trabalhadores do campo, especialmente durante a ditadura militar.
Foi mais um brasileiro vítima da Covid-19. Mas, não um brasileiro comum.
Nem um comunista comum. Foi um homem que dedicou sua vida à luta por uma vida digna
para todos/as. Como me disse ontem seu sobrinho Serginho, “um dos homens mais
solidários que já existiu”.
De 1956 a 1962, atuou ativamente nas Ligas Camponesas. Participou da
reorganização do PCdoB em Pernambuco e tinha orgulho de ter marchado ao lado de
líderes comunistas como João Amazonas. Com a instalação da ditadura e
perseguido em Pernambuco, teve de fugir da repressão, se transferindo para
Goiás, onde continuou atuando nas lutas dos camponeses e na resistência ao
golpe de 1964. Em seguida, mudou-se para a Bahia, passando mais de 20 anos na
clandestinidade, nos sertões baianos, com o nome de Manezinho, mas atuando
incansavelmente na organização dos trabalhadores e na construção do PCdoB,
chegando a ser dirigente estadual do partido e da CUT-BA.
Finda a ditadura militar em 1985, ele quis voltar para Pernambuco, rever
sua família, especialmente sua mãe, que há 20 anos não via e retomar sua
identidade original. Deixou de ser Manezinho da Bahia, se tornou Zezinho, Zé
Inácio, de Pernambuco. Aqui, se manteve um ativo militante pela
redemocratização e contra as ações de governos autoritários sobre a democracia
no país. E construtor do Partido Comunista, recrutador de trabalhadores e
lideranças do povo para a luta pelo Socialismo. Como ressaltou a presidenta
nacional do partido, Luciana Santos, em certa ocasião, para Zezinho, a crença
no socialismo não era apenas uma questão de fé, mas de formação. “Ele fez a
opção de ser militante de uma causa social”, disse a dirigente.
Nos últimos anos, Zezinho recebeu justas homenagens do partido e de
instituições públicas. Nascido em 1936, no Engenho Olho D’Água, em Bom Jardim,
no Agreste pernambucano, em 21 de setembro de 2018 se tornou Cidadão do Recife,
título concedido pela Câmara Municipal.
Seu grito de guerra comunista, que entoava com tanta garra, continuará a
ressoar em nossos corações e mentes para sempre.
ZEZINHO, PRESENTE!
Recife, 21 de janeiro de 2021.
Marcelino Granja de Menezes
Presidente do PCdoB-PE
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