É uma espécie de China Utópica, que o Partido espera que se mostre um modelo viável para o mundo, como alternativa ao que o Ocidente tem a oferecer
Publicado 25/10/2021 12:30 | Editado 25/10/2021 13:52
Não é de hoje que a
China defende uma sociedade menos desigual, com menores disparidades entre
ricos e pobres. Mas a busca por uma “prosperidade comum”, embora foque na
população local, tem o potencial de provocar enormes repercussões no restante
do mundo
A China diz que
suas políticas para reduzir a desigualdade se tornaram prioritárias – a
“prosperidade comum” é uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente
Xi Jinping nos últimos meses. Com isso, o setor privado também teve de se abrir
à causa social na China, passando a valorizar o mercado doméstico.
É o caso da gigante
de tecnologia Alibaba, que se comprometeu com US$ 15,5 bilhões para a promoção
de iniciativas de prosperidade comum na China – e estabeleceu uma equipe
dedicada a isso. A empresa diz que se beneficiou do progresso econômico do país
e até adotou um lema: “Se a sociedade está indo bem e a economia está indo bem,
então a Alibaba ficará bem”. Sua concorrente Tencent, outra uma gigante da
tecnologia, também está entrando nessa área. Prometeu US$ 7,75 bilhões para a
causa.
À BBC, um alto
executivo de uma empresa chinesa revelou que a mudança causou “certo choque”,
mas foi assimilada pela iniciativa privada. “Nós nos acostumamos com a ideia.
Não se trata de roubar os ricos – mas de reestruturar a sociedade e construir a
classe média”, afirma o empresário. “No fundo, somos um negócio de consumo –
então isso é bom para nós.”
As reformas
iniciadas há cerca de 40 anos abriram a economia chinesa e permitiram o acúmulo
de vastas fortunas pessoais, informa a agência Reuters. Ao mesmo tempo em que surgiam
centenas de bilionários no país, crescia a desigualdade entre a China rural e a
urbana.
Se a prosperidade
comum significa um foco maior na emergente classe média chinesa, isso pode
significar um rápido avanço para empresas globais que sirvam esses consumidores.
“O foco em jovens obtendo empregos é bom, se eles se sentirem parte da
mobilidade social no país. Quando a classe média cresce, existe mais
oportunidade”, diz Joerg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio da União
Europeia na China.
O “novo socialismo”
Conforme o Partido
Comunista, a prosperidade comum consiste, essencialmente, em tornar a sociedade
chinesa mais igualitária. Esse movimento pode transformar o significado de
“socialismo” no contexto global.
“O Partido está
agora preocupado com os trabalhadores medianos – como motoristas de táxi,
trabalhadores migrantes e rapazes que fazem serviços de entregas. A China quer
evitar a sociedade polarizada que alguns países ocidentais têm, o que temos
visto levar à desglobalização e à nacionalização”, opina Wan Huiyao, do Centro
para China e Globalização, de Pequim.
Está claro que a
prosperidade comum é uma parte importante de como o Estado e a sociedade
chineses serão governados sob Xi Jinping. Com isso vem a promessa de uma
sociedade mais igualitária – uma classe média maior e mais rica, além de
empresas que devolvem à sociedade em vez de apenas tomar ganhos para si.
É uma espécie de
China Utópica, que o Partido espera que se mostre um modelo viável para o
mundo, como alternativa ao que o Ocidente tem a oferecer.
Com informações da
BBC News
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