Autor do Cordel: Professor Dedé Rodrigues
Apresentação: 3º Normal Médio – FIPP – Festival de Interpretação de Prosa e Poesia - 2019
Meus senhores e senhoras
Me prestem bem atenção:
No que vou falar agora
Tomado de emoção.
Eu vou contar uma história
De lutas, conquista e glória
De amor e de paixão.
Somos LGBT
Daqui do nosso torrão
Lutamos por igualdade
Contra a discriminação
De sufoco e agonia
Que sofre a categoria
Nas quebradas do Sertão.
Estamos organizados
em uma Associação
No Vale do São Francisco
Que pertence ao Sertão.
Mas também noutras cidades
Lutamos por liberdades
Com toda amor e paixão.
Já fizemos movimento
em nossa Serra Talhada,
em Petrolina, em Salgueiro,
em Tabira, a terra amada.
O grito de Calumbi
Reforça o de Iguaraci
Alimentando a jornada.
Afogados e Triunfo
Lutamos do mesmo jeito
Pra que todo homoafetivo
Um dia tenha respeito,
Pois nós somos conscientes,
E na luta persistentes
Em prol dos nossos direitos.
Vamos contar uma história
Em forma de ficção
O Personagem e o enredo,
Tudo é nossa criação.
Mas queremos despertar
E também sensibilizar
O povo aqui do Sertão.
Certo dia uma família
Sentada em volta da mesa
Debatiam sobre gênero,
Sobre “as leis da natureza”,
Para tentar entender
O que é ser ou não ser...
Nesse mundo de incerteza.
PAI
O pai batendo na mesa
Apresentou uma questão:
Eu ouvi que nessa
casa
Tem um gay e um sapatão.
Não aceito na "famía"
Que um fio ou uma "fia"
Me cause essa humilhação.
Mãe
Meu marido tenha calma
Cuidado com a pressão!
Não fique bravo com eles
Vamos saber da questão.
Senta aí pra conversar
Depois da gente escutar
Toma uma decisão.
PAI
Ô muié tu tá maluca
Não aprendesse a lição
Que Deus
botou nesse mundo
Um casal, Eva e
Adão?
Pela “Palavra” q’ueu sei
Ele não criou um gay
Nem também um sapatão.
Filho
O que é q’eu posso fazer
Se eu só sinto atração
Por alguém do
mesmo sexo,
Fico louca de PAIXÃO?
Eu não sei como explicar...
Eu só sei que
quero amar
Com todo meu coração.
Filha
Eu sinto o mesmo papai,
Pois só me sinto atraída
Por alguém do mesmo sexo,
Fico doidinha e caída.
Mas na minha
relação
O respeito e
a paixão
Complementam
a minha vida.
Pai
Ô Meu Deus onde eu errei,
Esse humilde
pecador
Pra ser
assim castigado
E sofrer
tamanha dor?
Eu mereço
esse castigo?
O Senhor tá
brabo comigo
E por isso
me castigou?
Mãe
Calma home,
fique calmo
Deus não é
um vingador
Meus meninos
são "honesto",
São "forte" e "trabaiador".
Deus não vai
punir a gente
Porque Deus é só amor.
Fim do
Primeiro Ato
SEGUNDO ATO:
SALA DE AULA
A questão
homoafetiva
É uma
questão cultural
Precisa ser
discutida
Do Sertão a
capital
Na família e
na escola
Quem usa o
termo “boiola”
Discrimina e
causa mal.
Por isso que
a nossa escola
Que produz educação
Não pode
fugir de um tema
Que requer explicação.
Pois só na democracia
Teremos cidadania
Na escola e na nação.
Certo dia um professor
Colocou em discussão
O tema homoafetivo
Que chamou logo atenção.
Os alunos motivados
Ficaram logo animados
Pra discutir a questão.
3º ATO
( Organização coletiva: cenas e cenários).
Orador
Na família se discute
A nossa orientação...
Mas é na sala de aula
Que se estuda a questão.
Pois além de um direito
Nós somos todos sujeitos
Da História em construção.
Por isso vamos pr’as ruas
Gritar contra a opressão.
Fazer grandes passeatas
Da capital ao Sertão.
Gritar contra o preconceito
E apresentar nosso pleito
Pr’ao o governo de plantão.
As nossas pautas e
lutas
Repletas de adrenalinas
Mobilizam multidões
Nas capitais nordestinas.
Dentro da nossa cultura
É proibida a censura
E a repressão das “botinas”.
Escreveu um grupo gay
Que existe na Bahia
Que o Brasil é campeão
Em crimes de homofobia
Todo dia um inocente
É ceifado cruelmente
Por maldade e covardia.
A causa LGBT
É a causa de todo mundo
Que enxerga o irmão
Com um respeito
profundo.
Se livre de todo tédio
E não aceite o assédio,
Nem o preconceito imundo.
A nossa luta tem frutos
Na sexta do ideal,
Pois desde 2013
A “Justiça Nacional”
Permite o gay se casar,
Se unir, coabitar
De forma justa e legal.
Até o nosso Supremo
Da esfera Federal
Nos concedeu o direito
De viver como um casal.
Só falta à sociedade:
O campo e a cidade
Respeitar este ideal.
Já dizia Jesus Cristo
Fazendo um lindo sermão:
“O que não queres pra ti,
Não queiras pra o teu irmão”
Se somos filhos de
Deus
Podem ser gays ou
ateus
Ninguém merece agressão.
Que o poder público promova
A nossa diversidade
E garanta mais
inclusão,
Para a nossa identidade.
Que toda a população
Nos abrace como irmão
Dentro da sociedade.
O planeta pede paz!
O Brasil pede união!
Vamos respeitar no outro
A sua orientação...
Só com a democracia
Teremos cidadania
No Brasil e no Sertão.
ABREM-SE AS CORTINAS.
CENA FINAL:
ORADOR:
Ficamos gratos a todos
E a todas pela atenção.
Estamos nos despedindo
Tomados de emoção
Essa cena, infelizmente
Ocorre diariamente
Contra alguém que é nosso irmão:
CENA FINAL:
Um casal homoafetivo vem
andando e se encontra com uma grupo de jovens arruaceiros e bebendo: Ocorre a
agressão aos dois homoafetivos. Um(a) cai desfalecido(a) e o outro(a) canta uma música relacionada
com a agressão e o orador conclui a peça com a seguinte mensagem:
Oh meu Deus! quanta crueldade
no coração desses irmãos! Tudo por causa de uma orientação sexual ou
identidade de gênero. Em 2017, no Brasil, foram 445 casos de assassinatos de
homossexuais. O Brasil registra uma
morte por homofobia a cada 16 horas.
“Todos somos iguais perante a
lei! Temos dignidade! Respeitem os nossos direitos humanos! “Somos todos irmãos”,
disse o Papa Francisco recentemente. “Devemos
ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Não deve haver agressão nem
discriminação conosco. Quem faz isso não é cristão nem é ser humano! Merece ser
punido com o rigor da Lei. Não pratique nem aprove isto! Denuncie!
Resista! Viva à liberdade! Viva o direito a orientação sexual! Viva à democracia!
Despedidas da plateia. Todos
juntos de mãos dadas.


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